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David Vélez: “A cultura do Nubank é empoderar as pessoas"

David Vélez: “A cultura do Nubank é empoderar as pessoas"

Neste último dia 15 o Nubank foi destaque na Fintouch, a maior conferência de Fintechs realizada na América Latina. O evento ocorreu no Expo Center Norte, em São Paulo, com realização da StartSe e da Associação Brasileira de Fintechs.

Além, do Nubank, diversas outras startups, de tecnologia e inovação nos serviços financeiros, participaram da feira. Em comum, todos trouxeram os cases de suas marcas, soluções e perspectivas futuras no mercado brasileiro.

O CEO e co-fundador do Nubank, o colombiano David Vélez, foi um dos personagens mais aguardados pelo público, já que é referência e unanimidade quando se trata de inovação e negócio bem sucedido.

Não à toa, em menos de quatro anos de existência, a empresa já é a sexta maior brasileira emissora de cartões de crédito e tem o expressivo crescimento mensal de até 10%.

Em paralelo à ascensão econômica, a qualidade do produto e o atendimento diferenciado aos clientes permanecem também em seu cerne.

O segredo para criar, estruturar e manter uma startup nesses indicadores era o que muitos queriam descobrir. Por outro lado, David Vélez não poupou mistérios e deu uma aula enriquecedora para os empreendedores brasileiros. Sendo assim, trazemos aqui os principais pontos específicos por ele.

Ineficiência dos bancos: a grande oportunidade para o Nubank

Vélez iniciou sua apresentação mostrando o cenário de como se deu a ideia de criar o Nubank.

Uma foto no telão mostrava um homem seminu tentando entrar em uma agência bancária. Situação constrangedora e tão habitual a tantas pessoas, e que não foi diferente com ele, estrangeiro em solo brasileiro.

Após adentrar no banco, novas experiências negativas. Tais como os transtornos dos processos burocráticos para abrir uma conta, altas taxas de juros, ineficiência nos serviços prestados, o mau atendimento aos clientes. Estavam ali os problemas identificados e, definitivamente, os indicativos de tudo que a empresa, a ser ainda criada, jamais deveria ser.

Estes problemas foram o pontapé para a oportunidade de desburocratizar os serviços financeiros e fazer o Nubank surgir.

Para o seu time, Vélez convidou a brasileira Cristina Junqueira, executiva que acabara de sair do Itaú, e Edward Wible, um americano formado em Ciências da Computação. Wible também já tinha experiência na área financeira, tendo atuado pelo Boston Consulting Group. Os amigos aceitaram o desafio, e formaram a equipe que desenvolveria uma das mais sólidas startups nacionais.


Cultura Nubank: Nada complexo, tudo simplificado

No início, o time foi composto por 12 pessoas, e o endereço da empresa foi em uma modesta casa, na Rua Califórnia, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A imersão cotidiana de todos trabalhando juntos, no período de estruturação, foram cruciais para determinar a essência do Nubank.

“Esse período de 90 dias com meus 12 funcionários foi fundamental para criarmos essa cultura inicial. Trabalhamos muitos o perfil de qual cultura queríamos trazer para o Nubank", recordou Velez.

Em seguida, ele apontou o que veio a ser o principal combustível da marca: dar poder aos seus clientes.

"O grande propósito era matar a complexidade e trazer a simplicidade para o sistema financeiro para empoderar as pessoas. Entendemos que a complexidade deixava as pessoas reféns, não permitindo que elas tomassem decisões sobre suas vidas financeiras. Então decidimos que a complexidade era nossa inimiga número um”.

Além da cultura institucional, outro elemento que a equipe de Vélez priorizou foi o foco no cliente, analisando os problemas que já tinham no mercado, e buscando um modo de apresentar soluções a eles. Dessa forma, estavam aqui definidas as essências do Nubank.

Cartão sem tarifas: é possível fazer

Outro diferencial do Nubank que não poderia passar despercebido é o fato de o cartão ter surgido revolucionando o setor financeiro no Brasil, com uma característica muito peculiar; não cobrar tarifas anuais dos clientes.

Sobre essa pauta, Vélez explicou que a empresa sempre foi totalmente contra a “crença convencional existente no Brasil”, mostrando que é possível ter um cartão de crédito sem que seus clientes precisem pagar por ele.

A solução para fazer esse modelo de negócio acontecer é simples: “A meta era ser tão eficiente para a conta fechar sem cobrar tarifas”.

A receita deu resultado e fez o Nubank ser um dos cartões de crédito mais desejados pelos brasileiros, que já fizeram mais de 8 milhões de solicitações de cartão à empresa.  Esse número fez a startup ultrapassar o Banco Safra e o Citibank, na emissão de cartões no Brasil.

Como a inovação faz parte do Nubank, não demorou para a empresa lançar o Rewards, seu programa de recompensa por milhas. Esse programa, segundo Vélez é voltado para uma “certa fatia de clientes que tem uma renda e faixa etária maior, e está disposto a pagar uma anuidade”.

Aproveitando isso, ele aproveitou o momento para falar da equação entre o crescimento e lucro. Nesse sentido, Velez mostrou que a receita pode ser a consequência do crescimento, não a causa.

“É um grande desperdício você gerar lucro pela tua venda, começar a priorizar no lucro quando se tem um mercado enorme à sua frente. É importante ter confiança que seu modelo de negócio funciona, não necessariamente no ponto de vista vertical, mas também horizontal”.

Fintechs: a democratização do crédito no Brasil

Falando ainda em crescimento, com a experiência e vivência nas áreas tecnológica e financeira, Veléz estima que os serviços financeiros atingirão 100% da população brasileira.

Ele aponta que isso é uma tendência, já que estamos falando de um país que, culturalmente, já faz muito uso da tecnologia. “Independente de crise e qualquer coisa que aconteça, todos devem acessar a celular e à internet, o Brasil é muito conectado; é um dos países que mais acessam mídias sociais no mundo ”.

O CEO enfatiza que essa conectividade é uma oportunidade para os bancos, já existentes, e as novas fintechs chegarem cada vez mais ao acesso de todos. Contudo, o baixo custo dessas startups é um diferencial que deve ser bem aproveitado por elas, de modo que possibilitem que os seus serviços financeiros alcancem os desbancarizados.

“Para mim um custo de um empréstimo de R $ 10,00 é o mesmo de R $ 10.000,00. Para fazer isso acontecer é preciso ter tecnologia operacional e ser muito eficiente no que faz ”.

Já para os grandes bancos, o CEO aponta que precisa fazer mudanças em suas instituições, como reduzir os juros, as tarifas e melhorar a eficiência nos serviços.

O efeito disso, segundo ele, será a concordar entre eles e como fintechs, que assim, democratizam o sistema financeiro e reduzirá a desbancarização no Brasil.

Bancos x Fintechs: rivalidade ou parceria

Por fim, o executivo traçou um breve comparativo entre as duas esferas do setor. Ele destacou que enquanto os bancos têm o capital bem mais expressivo, as fintechs têm a tecnologia para “criar uma página em branco em uma plataforma eficiente”.

Porém, independente das suas distinções, há como construir parcerias entre as duas partes, de modo que “trabalhem complementarmente”. Com isso, quem mais se beneficia dessa relação será o cliente.

Ele ponderou ainda que, além da população, o mercado como um todo saí ganhando, com espaço para novas empresas atuarem e concorrerem neste setor que era muito consolidado.

“É uma grande oportunidade para trazer novas fintechs, novas entrantes que estão fazendo melhores serviços, melhores produtos. Todos se beneficiam. Logo, todos têm oportunidade de concorrer, seja independentemente ou em parcerias ”, concluiu.

Por: Van Martins