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/ Empreendedorismo

Até quando investir numa startup?

Definição de startup: um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.
Assim nasceu a minha startup, certos de que o negócio era repetível e escalável, mas em condições de extrema incerteza, em 2009, quando fundamos o Vakinha, criando o conceito que, alguns meses depois, seria chamado de crowdfunding nos EUA.

Quebramos cinco vezes e quando recebemos dinheiro dos investidores para fechar a empresa, resolvemos tentar mais uma vez! Em 2015 a arrecadação do site foi de R$ 8 milhões, indo para R$ 18 milhões em 2016, fechando 2017 com R$ 37 milhões, tendo alcançado R$ 100 milhões desde sua fundação.

No entanto, o conjunto de variáveis que formam a equação para se chegar ao sucesso de uma startup não está nos livros e nem no banco da faculdade. O curso de administração não aponta o que fazer quando se está no vermelho. Quais contas pagar, quando não se tem dinheiro suficiente? E o investidor? Ele vai continuar apostando?
Em meio aos inúmeros desafios e percalços do caminho, para tomar a decisão de continuar ou não, nem sempre a calculadora é a melhor conselheira. Da minha experiência, selecionei quatro pontos que podem ajudar a tomar a decisão de seguir adiante. Ou não.

Você ainda acredita no que está fazendo?
Nós acreditávamos. Apesar de tantos desafios e dificuldades de toda ordem, o número de vaquinhas crescia e a cada avanço ficava claro o que seria necessário fazermos para continuar crescendo. Sabíamos que o site deveria ser mais parrudo para suportar o maior número possível de acessos simultâneos e realizar operações com mais agilidade e segurança.

Em momentos que poderiam ser um marco nas arrecadações, perdíamos dinheiro porque a estrutura do site não aguentava. Conseguimos em 2015. Uma vitória e tanto. Além disso, vale sempre voltar para o que te motivou a empreender e fundar a startup, a ideia original ainda faz sentido? Muitas vezes perdemos tempo e acabamos investindo em um projeto que não tem mais espaço no mercado.

Você ainda tem fôlego?
Talvez este seja o maior desafio. Para conseguir seguir adiante, foi necessário reduzir custos à beira do impossível. Fechamos o escritório, passei a tocar a empresa em home-office e meu sócio, que era casado, voltou para o mercado, mantendo jornada dupla com a nossa startup e seu novo trabalho. Adiei casamento, filhos e, quando casei, trabalhei na minha lua-de-mel.

Muitas vezes queremos continuar, mas por inúmeros fatores não podemos. Para empreender termos que apostar tudo, abrir mão de muita coisa focando no resultado. Você vê amigos crescendo em seus empregos, estruturando suas vidas e você segue estagnado para poder crescer no futuro, todas essas escolhas são diárias para manter o foco em seu negócio.

Dois negócios ao mesmo tempo têm grande chance dos dois darem errado. É muito importante entender a hora de parar, se você começou a sacrificar além de valores pessoais, valores de pessoas ao seu redor, esse é um buraco sem fim e um forte sinal de que algo deve mudar radicalmente.

Você tem diferencial?
Este ponto é fundamental. Uma coisa que sempre nos incomodou durante todo o processo de crescimento foi de ser uma startup que estava abrindo todo um mercado e durante esse tempo, qualquer empresa mais estruturada poderia nos tomar. Para se diferenciar, focamos na criação do nosso próprio sistema de pagamentos. Ao fazer isso, conseguimos oferecer taxas pela metade do preço dos demais players.
Isso foi decisivo para o negócio crescer, se mantendo competitivo e rentável. Esse foi um de nossos diferencias, tivemos vários ao longo do tempo, como ser pioneiro e ter um nome importante.

Como esse texto é para auxiliar na tomada de decisão em continuar ou não com sua empresa, acredito que se você chegou ate aqui é porque já apostou muito em seu negócio e no diferencial que você tem. Aqui vale novamente estar sempre reavaliando. Você tinha um diferencial ao montar seu projeto? Você ainda tem esse diferencial?

Se a sua resposta para as três perguntas for “sim” é muito provável que ainda não chegou a hora de desistir e o sucesso só esteja esperando uma oportunidade para chegar.

*Fabricio Milesi é cofundador e diretor do site Vakinha, maior site de financiamento coletivo do país.

Foto: Celina Germer/Divulgação

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