Atividade do mercado de crédito mostra crescimento significativo com a chegada da Geração Z à maioridade

2 months ago

Relatório Industry Insights da TransUnion do segundo trimestre de 2019 aponta que o cartão de crédito é o produto financeiro mais popular para 55% dos jovens dessa geração

A Geração Z, formada por pessoas nascidas a partir de 1995, ganhou ainda mais participação no mercado de crédito durante o segundo trimestre de 2019. No período, 14 milhões de consumidores com mais de 18 anos tiveram crédito tomado,  enquanto esse número foi de 11 milhões no segundo trimestre de 2018, de acordo com o Relatório Industry Insights, divulgado pela TransUnion, companhia global de soluções de informação.

O estudo, que tem como base no cenário de crédito dos Estado Unidos, mostra que o crescimento é proveniente de toda a população da Geração Z. O volume de consumidores dessa geração com disponibilidade ao crédito, ou seja, os que possuem 18 anos ou mais, teve um aumento de 4,5 milhões, atingindo 31,5 milhões no segundo trimestre de 2019. Nos próximos três anos, a perspectiva é de que outros 13 milhões de consumidores dessa geração poderão usufruir de crédito.

Dividido em cinco partes, o relatório aponta diferentes atuações financeiras da Geração Z, destacando um panorama geral das mudanças de comportamento e do impacto de jovens inseridos no mercado de crédito.

Consumidores da Geração Z que tiveram crédito tomado têm altas taxas de crescimento

O cartão de crédito é o produto mais popular entre os consumidores da Geração Z. Mesmo representando apenas 5% da população dos Estados Unidos, o crédito tomado apresentou 55% de incidência entre os jovens. Mesmo com uma base de comparação baixa, as hipotecas tiveram a maior taxa de crescimento na relação ano a ano entre os consumidores da Geração Z, chegando a 112%. Elas ainda são o produto de crédito com menor atratividade para os membros dessa faixa etária, os números de contratos entre jovens representam apenas 0,5% do total.

Para Juarez Zortea, presidente da TransUnion no Brasil, a Geração Z ainda é uma novidade no mercado de crédito, mas algumas diferenças em comparação com outras gerações já são perceptíveis. “O rápido crescimento da atividade de crédito nessa geração está ocorrendo mesmo com muitos desses indivíduos tendo crescido durante a Grande Recessão. Embora esse período de crise tenha durado menos de dois anos nos Estados Unidos, seu impacto foi sentido por mais tempo. No entanto, com a chegada de mais membros desse grupo à maioridade, esperamos naturalmente ver um crescimento contínuo da atividade de crédito nessa geração, que será acompanhado de perto por nós para que possamos comparar com o comportamento das gerações anteriores e também poder compará-la em outros países pelo mundo”.

Parcela dos consumidores da Geração Z tiveram crédito tomado está crescendo

O relatório ainda mostrou que 7,7 milhões de consumidores da Geração Z optaram pelo uso de cartão de cartão de crédito, representando 5,2% dos resultados que englobam todas as faixas etárias, enquanto mais de 740 mil solicitaram empréstimos pessoais, batendo 3,8% do total.

"A Geração Z está começando a construir seu currículo financeiro, então é importante que desenvolva hábitos de crédito saudáveis, para que possa moldar seu futuro adequadamente", explica Juarez Zortea. "Incentivamos a Geração Z, e todas as demais, a buscar ferramentas que as ajudem a assumir seu controle financeiro de forma a manter uma melhor saúde em termos de crédito".

Mercado de cartões de crédito segue mostrando sinais de crescimento

O número de consumidores que não pagaram integralmente a mensalidade do cartão de crédito

atingiu um pico de 148 milhões no segundo trimestre de 2019. Desse total, 7,7 milhões pertencem à Geração Z. Já total de linhas de crédito chegou ao ápice de US$ 3,83 trilhões durante o período, um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior, se consagrando como o ritmo de crescimento anual mais acelerado na era pós-recessão.

Embora a taxa de crescimento de dois dígitos tenha sido observada na maioria dos níveis de risco, o near prime registra o grande destaque com uma elevação de 18,2% em comparação com o ano anterior, por outro lado, o prime cresceu 16,8%. Esses níveis levaram o saldo total a um aumento de 5,3% na relação ano a ano durante o segundo trimestre de 2019, alcançando o 25º trimestre consecutivo de crescimento, com saldo médio do consumidor chegando a US$ 5.645.

Nesse cenário, mesmo que a taxa de inadimplência severa entre consumidores, que apresentaram mais de 90 dias de atraso - ou Days Past Due (DPD, em inglês) - tenha atingido 1,71%, mantém o indíce abaixo da marca de 4% observada na época da Grande Recessão.

“No último trimestre, vimos a inadimplência atingir seu nível mais alto desde 2010, mas o desempenho geral do mercado de cartões de crédito continua em um patamar saudável. Em todos os níveis de risco, os cartões de crédito apresentaram crescimento de originação na comparação anual, liderados pelo prime plus com 9,4% e super prime com 9,7%. Em contrapartida, no lado do private label, observamos uma deterioração continuada na originação, tendência que começou em princípios de 2017. Isso tem sido impulsionado principalmente pelos emissores de cartões private label que buscam qualidade em vez de quantidade”, comenta Zortea.

Solicitação de crédito direcionado à compra de veículos desaceleram, mas desempenho permanece ótimo

O número total de empréstimos para compra de veículo teve um aumento de 1,8 milhão no ano passado, embora o crescimento das originações na relação ano a ano tenha sido negativo pela primeira vez em cinco trimestres. Apesar da queda geral nas solicitações, o crescimento ocorreu predominantemente em um padrão straddlee se concentrou nos níveis de risco super prime (+1,0%) e subprime (+2,1%).

A taxa de inadimplência severa, que representa um atraso de mais de 60 dias, ficou em 1,23% no segundo trimestre de 2019, apenas um ponto percentual acima da observada no segundo trimestre de 2018 e no mesmo nível do segundo trimestre de 2017. Com a maturidade da Geração Z, 1,3 milhão de consumidores com disponibilidade para crédito para compra de veículo foram adicionados a essa categoria no segundo trimestre de 2019, um volume maior de novos participantes em comparação com as gerações Millennial e X combinadas.

"O acesso aos automóveis continua sendo um desafio para os consumidores, com fatores como a elevação do preço de veículos novos e os termos da estabilização contribuindo para pagamentos mensais mais elevados. O enfraquecimento da demanda resultou na desaceleração das originações e no desaquecimento geral no mercado. A indústria prevê que as vendas de veículos novos cairão para menos de 17 milhões neste ano, nos Estados Unidos, pela primeira vez desde 2014. Apesar dessa tendência, o desempenho segue forte, com uma inadimplência estável na comparação ano a ano”, diz Juarez.

Empréstimo pessoal migra para mutuários de menor risco e segue em um ritmo mais lento

A taxa de inadimplência severa para empréstimos pessoais, que apresentam mais de 60 dias de atraso, apresentou baixa para 3,12% no segundo trimestre de 2019, uma queda de nove pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso se deve, em parte, à migração de mais de 1% das originações para os consumidores above prime. Em função do maior porte dos empréstimos que esses consumidores de baixo risco demandam, essa mudança também elevou o saldo médio de novas contas a um valor recorde de US$ 6.790.

O saldo total de empréstimos pessoais teve um crescimento de 18,4% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 148,4 bilhões no segundo trimestre de 2019, com um valor 54% mais elevado do que era há apenas três anos. No primeiro trimestre de 2019, as originações de empréstimo pessoal cresceram 8,4% na relação ano a ano, um ritmo muito mais lento em comparação com o crescimento de 24,5% registrado no mesmo trimestre do ano passado. O número de consumidores com empréstimo pessoal atingiu 19,6 milhões no segundo trimestre de 2019. Ainda que represente apenas 3,8% desse total, a Geração Z está crescendo com o ritmo mais acelerado, um crescimento anual de 45,5%.

"O ritmo mais lento de crescimento no segmento de empréstimos pessoais, mas ainda significativo, que temos visto ao longo dos últimos dois trimestres é um bom indicador do que esperar do mercado até o final de 2019. Esse crescimento continua favorecendo consumidores nas camadas inferiores de risco, o que se reflete em parcelas mais baixas de inadimplência. Com o amadurecimento do mercado e o menor número de novos operadores de empréstimo, o patamar de crescimento não deve retornar aos níveis de mais de 25%, como vimos nos últimos anos. No entanto, o volume de empréstimos pessoais em todos os níveis de risco seguirá crescendo a um ritmo saudável em função da demanda do consumidor e do foco tanto dos credores tradicionais quanto das fintechs", explica Juarez Zortea.

Redação

Published 2 months ago