No Sday Rodrigo Fulgêncio, Coordenador Pedagógico do Poliedro, contou alguns segredos de tanto sucesso.

Os resultados alcançados no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) pelos alunos do Poliedro mostram que a metodologia utilizada na preparação para o exame é realmente diferenciada. Neste ano, foram 49 aprovados (41 de unidades-sede e 8 de unidades parceiras), em 110 vagas.

Foi a maior aprovação percentual da história do Curso Pré-vestibular: 44,5% das vagas no ITA são do Poliedro. Com o resultado no ITA e no IME, o Poliedro foi o curso que mais aprovou para os dois principais institutos de engenharia do Brasil. São 128 aprovações no total. A seguir um bate papo com Rodrigo Fulgêncio, um dos responsáveis por fazer esses números serem alcançados.

Polinize – Durante a sua palestra no Sday, a cultura do feedback ao professor e aluno (com relação ao seus desempenhos) foi um assunto muito abordado. Como isso funciona no Poliedro e quais são os impactos percebidos no dia a dia?

O feedback é uma ferramenta importantíssima no ambiente escolar. As pessoas precisam saber se estão na direção correta e, se não estiverem, como corrigir o rumo. Isto vale para todos os colaboradores de uma escola, principalmente os professores e alunos.

No caso dos professores é importante que eles tenham uma comunicação aberta, transparente e profissional com a coordenação pedagógica, em um ambiente de respeito mútuo. É importante discutir sobre as práticas de sala de aula, o que está dando certo, qual o resultado que cada prática teve no aprendizado dos alunos e na dinâmica da aula. No Poliedro procuramos ter reuniões regulares com os professores para passar não só a impressão dos alunos mas também a análise do próprio coordenador sobre o trabalho realizado. É uma tarefa trabalhosa, mas que precisa ser feita.

No caso dos alunos eles tem um apoio da orientação pedagógica para analisar o desempenho e receber uma orientação de como estudar e se organizar no dia a dia. Além disto temos ferramentas de tecnologia que ajudam nesta análise de deficiências.

Polinize – O que o Poliedro pode afirmar que funciona de fato em edtech?

No Ensino Fundamental II do Poliedro temos um ambiente onde a tecnologia é muito presente. A nossa lousa digital é bastante utilizada. Com ela é possível compartilhar entre professor e aluno o planejamento, o conteúdo da lousa e também criar espaços interativos onde todos podem gerenciar projetos de modo compartilhado. Como esta tecnologia, fora da sala de aula o aluno não tem perda de conteúdo (por exemplo alunos que não copiavam a matéria não tem a desculpa de não ter mais as anotações da aula). O tempo de execução da lousa foi otimizado. Temos por exemplo aulas no qual um professor consegue simular a dissecação de um animal, na lousa digital, de maneira muito mais prática e dinâmica.

Mas é importante dizer que a aula em si é a mesma. O professor ainda tem um papel de liderança em sala de aula que é importante. Ele constrói os vínculos com os alunos, fazendo o engajamento e motivação durante a explicação do conteúdo. Ele que é responsável por prender a atenção do aluno, o orientar e dar o tom da aula. Um bom professor sem tecnologia foi potencializado com a presença das novas ferramentas. Porém é importante reforçar que a tecnologia é apenas uma ferramenta: ela é tão boa quanto a pessoa que a manipula.

No Ensino Médio utilizamos muito o nosso aplicativo P+, que é uma ferramenta de utilização mais frequente pós-aula que apoia o aluno mostrando suas notas, desempenho nos simulados, resolução das questões dos livros e das provas, planejamento de estudos baseado nos resultados dos simulados, recados dos professores e coordenadores e muitas outras funcionalidades que fazem o aluno ganhar tempo, melhoram a comunicação da escola com ele e a sua família. Estamos investindo bastante em otimizar a vida do aluno e estas ferramentas podem ajudar bastante. Porém, dentro da sala de aula, ainda seguimos bastante com um modelo mais tradicional, de aula expositiva, também por conta da exigência natural dos vestibulares. Fora da sala de aula, em projetos e outras iniciativas, a tecnologia está mais presente.

Polinize – Ainda com relação às inovações, o que o Poliedro testou e não funcionou na sala de aula?

Estamos sempre atentos às inovações e continuamos a testar tecnologias novas. Tivemos alguns casos de insucesso, com aplicativos que eram interessantes mas paramos de utilizar por falta de desenvolvimento, suporte do fornecedor e falta de atualização. Algumas experiências com tablet também não deram certo, por não serem tão práticas ou por falta de engajamento e capacitação correta dos professores e alunos.

Polinize – Na sua palestra, a disciplina e respeito ao professor foram assuntos de destaque. Nesse sentido, como a cultura do ITA, uma escola militar, influencia o pensamento dos gestores do Poliedro?

Embora muitos gestores do Poliedro foram formados no ITA e aprendemos muito sobre a cultura de organização e respeito lá, eu acredito que é menos uma questão de “cultura” militar mas sim de uma filosofia de valorização do professor. Acreditamos que ele é um agente transformador importante em sala de aula. Ele representa a escola quando ele fecha a porta e começa a sua aula, e a sua influência no aprendizado dos alunos é extremamente grande. Para que o aprendizado ocorra, é uma condição necessária que exista uma certa disciplina e ambiente de respeito mútuo em sala de aula. Para isso, regras justas e claras, cumprir combinados, apoiar os professores nas questões disciplinares e uma boa execução da aula ajudam bastante. Tudo isto com o apoio da coordenação pedagógica e do mantenedor.