*Por Yago Almeida

Em fevereiro desse ano, infelizmente tivemos a notícia que uma das maiores montadoras do país iria fechar sua porta. A Ford, estabelecida no país desde 1967, em São Bernardo do Campo (SP), afirmou que irá parar suas operações para conseguir alcançar um retorno à lucratividade sustentável na América do Sul.

Segundo o comunicado divulgado pela Ford, a medida foi tomada após muitos meses de buscas por alternativas, que incluíam parcerias e até mesmo a venda da operação local. Além disso, o volume excessivo de investimentos para atender as necessidades do mercado e os constantes custos com itens regulatórios, tornaram o negócio inviável.

Isso nos mostra que, apesar de seus muitos anos de experiência e mercado, todas as grandes empresas podem sofrer baixas e, até mesmo, chegar ao ponto da Ford. No mercado automotivo isso é ainda mais latente, pois à exigência dos consumidores, baixo poder aquisitivo e questões políticas acabam influenciando as vendas e, consequentemente, lucratividade.

Minha provocação para o setor é se abrir para o novo e abrir mão de alguns preceitos antigos, que deram muito certo, mas que hoje já se tornaram arcaicos e ineficientes. A procura por inovação já tem sido um movimento advindo de período anteriores e que agora se torna item obrigatório para quem quer inovar e não perder mercado.

Como vimos no comunicado oficial da própria montadora, foram procuradas alternativas antes de tomar essa dolorosa decisão. Mas será que foram pesquisadas alternativas em parcerias com as startups do setor?; será que foram ouvidas propostas de inovações e aplicações tecnológicas simples, mas eficientes, para o dia a dia dos colaboradores, que pudessem impactar positivamente suas rotinas e produtividades?; será que foi cogitada a possibilidade de contratar um empreendedor do ecossistema de inovação no Brasil para gerar novos insights?

Nunca saberemos, ao certo, essas respostas, mas que esse triste episódio da indústria automotiva nos sirva de lição e mola propulsora para não nos fecharmos para o novo e pararmos de agir como eternos inimigos. Está mais do que na hora de todos os agentes do setor se unirem em prol da evolução desse mercado e gerar valor real para o usuário final.

Afinal, você não quer ser a próxima Ford né?!

*Yago Almeida é Diretor Comercial da Olho no Carro, uma startup que oferece segurança para transações de compra de veículos. Oprimeiro aplicativo web de consultas veiculares do país, analisa em poucos segundos, mais de dez variáveis, como  Decodificador de Chassi, Base Nacional – Dados Cadastrais do veículo com base no Renavam, Restrições e Impedimentos do veículo, Histórico de Roubo e Furto, Acidentes (sinistro de perda total), Indício de Sinistro, Leilão, Gravames (SNG), Histórico de Proprietários e Histórico de KM.