Para Lee Blakemore, colaboração estreita com os parceiros regionais é fundamental para garantir o sucesso da atuação de uma das líderes do mercado internacional de EaD

Por Felipe Mendes

Já são 20 anos de história no mercado de EaD, mas os desafios permanecem os mesmos: como uma gigante como a Blackboard pode oferecer produtos e plataformas para centenas de instituições de mais de 90 países, atendendo a demandas específicas de cada uma delas? Em entrevista ao Polinize, o presidente internacional da empresa reconheceu a grandeza do desafio, mas disse que conta com o apoio dos parceiros regionais. E destacou a parceria com o Grupo A no Brasil.

“Temos cada vez mais pessoas entrando no sistema educacional, e é isso que a gente quer: mais gente estudando, aprendendo. A Blackboard no Brasil tem um cenário muito específico, com um grande número de instituições de ensino. É fantástico haver tantos estudantes, mas isso traz uma dificuldade a mais na perspectiva da tecnologia. Uma coisa é oferecer suporte para 20 ou 30 mil estudantes que vão a uma ferramenta online para checar as notas, outra coisa, totalmente diferente, é atender 100 mil estudantes com esse objetivo”, pondera.

Para Blakemore, as condições demográficas do país fazem com que as instituições de ensino atendidas pela empresa sejam muito diversas. Há clientes com alunos vindos de diferentes partes do país, com experiências de vida e níveis de acesso à educação distintos. Tudo isso aumenta a complexidade e a intensidade do desafio.

“Uma empresa de tecnologia completar 20 anos é um grande feito. Temos muito orgulho do que fizemos e parte da razão do sucesso é que as instituições parceiras nos impulsionam com suas demandas, dúvidas e questionamentos. E queremos continuar assim”, disse a representantes de instituições de ensino, em evento no início de novembro em São Paulo.

A relação cada vez mais próxima com as instituições de ensino dá a tônica do discurso da Blackboard. Presente ao mesmo evento na capital paulista, o diretor internacional de cloud services da empresa, o holandês Jan Willem Van der Zalm, reforçou: “os clientes são diferentes uns dos outros, e não vão mudar da noite para o dia. Ao mesmo tempo, as pessoas gostam da inovação. Temos de ser sensíveis a isso”. No encontro, os diretores apresentaram aos clientes ferramentas como as plataformas SaaS e Ally – esta última recém-lançada no Brasil.

O gerente da Blackboard no Brasil, Pavlos Dias, afirma que a empresa trabalha para oferecer cada vez mais ferramentas e plataformas globais, mas que ao mesmo tempo sejam flexíveis o suficiente para atender a todas as demandas de cada cliente. Os 20 anos de estrada da empresa mostram que a especificidade nas demandas é algo inerente ao negócio, e vai continuar ditando a lógica do mercado.

“Um estudo que fizemos há poucos anos mostrou as principais tendências para o mercado educacional até 2020. Esse estudo revelou seis grandes áreas, e uma delas é ‘métodos diferentes de ensino e aprendizagem’. Cada instituição vai ter seu método, focar em sua área de estudo, e temos de comportar isso. E esse é o benefício de ser grande. Uma empresa mais jovem, menor, não tem capital, não consegue criar equipes, estruturas que suportem modelos tão distintos”, pontua.

“Em 2018 e 2019 vamos apresentar respostas que desenvolvemos a partir de demandas que recebemos entre 2016 e 2017. Temos nos adaptar, e a palavra é ‘qualidade’. A ferramenta precisa funcionar de maneira fluida. Estudantes não têm paciência para lidar com tecnologia que trava, que não funciona. E é preciso funcionar em qualquer dispositivo, ser intuitivo, fácil de usar, e mantendo o mesmo design”, complementa Lee Blakemore.