polinize, state of tech.

#beenews


Agrotech Autotech Co-working E-commerce Edtech Energia Eventos Foodtech Games Healthtech Lawtech Mediatech Vagas de trabalho Serviços

HackTown: a história de uma conferência de inovação quase secreta

Chegando à sua 4ª edição, HackTown acontece em uma cidade do interior, tem vagas limitadas, ainda é pouco conhecido, mas já é considerado por especialistas como um dos melhores eventos de inovação e criatividade da América Latina.

Imagine passar por um boteco, pedir uma cerveja, e, ali mesmo, ao lado de outras 40 pessoas, assistir a uma palestra sobre inovação ministrada por um executivo de uma empresa referência global como Google, AirBnB, IBM, Facebook ou Uber. Tudo isso após ter visto a apresentação de uma professora de Harvard, da fundadora de uma startup disruptiva, e do embaixador da Singularity University no Brasil, escola fruto da parceria do Google com a NASA no Vale do Silício. E o melhor: usando um único ingresso, de preço acessível, e super disputado pelo pessoal mais antenado do mundo da inovação e da criatividade.

Imagine agora, caminhar por três minutos até a garagem de uma casa para ver a palestra de uma empreendedora que deixou de lado sua carreira de executiva para criar um projeto de sustentabilidade; ou de um publicitário que virou astrólogo; ou de um arquiteto especializado em bioconstruções sustentáveis; ou de uma especialista na convergência entre Inteligência Artificial, Blockchain e Internet das Coisas; ou até mesmo da empresária de um dos rappers mais famosos do país falando sobre marketing na música.

Imagine, então, sair dali, chegar em um pracinha interiorana, comer uma porção de torresmo em uma feirinha gastronômica típica enquanto experimenta um óculos de realidade virtual, assiste a uma apresentação intimista de uma banda autoral que deve estourar nos próximos anos, e bate-papo com algumas das mentes mais inovadoras do país.

Agora imagine tudo isso em uma cidadezinha charmosa, de apenas 40 mil habitantes, que é polo de tecnologia e startups, e fica a apenas 220 km da cidade de São Paulo. Tudo isso em um evento ainda pouco conhecido, que visa democratizar este tipo de conhecimento, por um preço muito inferior ao das conferências que rolam nas grandes capitais, mas com ingressos em quantidade muito restrita, justamente por respeitar as limitações de onde é realizado.

Em 2018, a cidade de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, conhecida como o Vale do Silício do Brasil, recebe, pela quarta vez, o HackTown, festival de criatividade e inovação que promoverá, de 6 a 9 de setembro, mais de 300 atividades, entre palestras, debates, workshops e meetups. Até o momento, pouco mais de 70 palestrantes, entre os mais de 200 que estarão presentes no HackTown, já foram anunciados. A lista completa pode ser conhecida neste link.

O Vale da Eletrônica, como é conhecida Santa Rita do Sapucaí, conta com mais de 150 empresas na área de tecnologia. Além disso, é um dos principais ecossistemas de startups do país. Apesar do seu tamanho minúsculo e da sua aparência interiorana, o município sedia o Inatel, instituição de tecnologia chamada por muitos de o “MIT” brasileiro, em referências à inovadora instituição de ensino norte-americana. “Santa Rita é um polo de alta tecnologia”, afirma o dinamarquês Jesper Rhode, coordenador da escola de inovação Hyper Island no Brasil. “Historicamente o país tem um viés muito forte para software e programação. Com a Internet das Coisas e a impressora 3D, entretanto, a prototipagem rápida para desenvolver hardware e dispositivos está ganhando importância na economia digital. A cidade está no miolo desta revolução no Brasil”, conta Rhodes. “Várias startups estão abordando inteligência artificial, inclusive deep learning para análise de imagens, colocando o Brasil no mapa global do desenvolvimento de soluções para o futuro digital”, destaca.

Mesmo ainda pouco conhecido e chamado por muitos de conferência "quase "secreta, o HackTown, que é inspirado no evento norte-americano SXSW e no alemão Tech Open Air, sediou, em 2017, pela primeira vez fora dos Estados Unidos, uma casa do Google, com atividades exclusivas criadas pelo gigante da tecnologia para os participantes do festival, além de um evento endossado pelo também gigante Facebook, ao ar livre, em uma tradicional pracinha de interior.

Para o diretor do ThinkLab da IBM, grupo que lidera a Inovação da empresa com seus clientes, Henrique von Atzingen, o Brasil precisa muito de festivais de inovação e cultura como o HackTown. "Muitas vezes valorizamos demais o que vem do estrangeiro sem antes aproveitar a diversidade e a capacidade de nossas mentes brilhantes”, conta. “O HackTown é uma chama que brilha neste país e que precisa crescer cada vez mais", completa.

Quem compartilha de uma opinião parecida é Renata Perrenoud, Fellowship na Universidade de Harvard pelo consórcio STHEM Brasil-Laspau. “Inovar é fundamental para sobreviver e criar caminhos que nos levem ao futuro hoje”, afirma a professora que também é fundadora da Inovatio Educação. “O HackTown instiga e inspira este olhar inovador”, destaca.

Além do conteúdo de alto nível, destaca João Rubens Costa, um dos organizadores do HackTown, o evento também se destaca pelo formato bem diferente do habitual, altamente propício à troca de ideias e à conexão entre pessoas. “O fato de ocuparmos uma cidade quase toda com atividades espalhadas, com um público limitado de 4 mil pessoas imerso durante quatro dias, proporciona um networking muito mais amplo e intenso do que nos eventos convencionais “, destaca. “Nosso design de experiência é focado em promover encontros, com locais muito próximos uns aos outros, rotas bem fáceis de serem percorridas a pé e muitas surpresas pelo caminho”, completa Costa.

Para Carl Amorim, executivo do Blockchain Research Institute no Brasil, um evento que consegue impactar uma cidade inteira fora dos grandes centros, é algo único e precioso, que deve ser vivido e experimentado regularmente. ”Não conheço no mundo uma iniciativa que envolva toda uma cidade, com uma programação incrivelmente diversa, inclusiva e antenada”, declara Amorim, que é também editor do livro Blockchain Revolution de Don Tapscott.

“Muita gente almeja ir para o SXSW olhar de perto as principais tendências. É lícito. Mas poucas acabam valorizando o que tem aqui no Brasil”, conta Cleber Paradela, VP de Planejamento da Sunset, agência digital do Grupo ABC/Omnicom. “O HackTown é um belo exemplo de que é possível ter uma experiência completamente imersiva, nos moldes do festival texano, mas investindo menos de 5% do valor”, complementa. “Fui pela primeira vez em 2017, me apaixonei por Santa Rita do Sapucaí e pelo festival, e hoje tenho orgulho de espalhar aos quatro cantos o quanto é incrível”, destaca Paradela, que também é professor na Miami Ad School.

Os ingressos para o HackTown 2018 são limitados e estão a venda em www.hacktown.com.br. Vale a pena conferir.



comments powered by Disqus

Receba notícias no seu email!



Copyright © 2018 - polinize, state of tech.
W3C optimized - CC License.