Em 9 meses, curso especializado em desenvolver influenciadores digitais já reúne 400 pessoas, sendo 98% mulheres, em busca de renda mensal de R$ 2 mil a R$ 10 mil

Oficialmente, já são 7500 influenciadores digitais catalogados no Brasil. Estima-se que esse número chegue a 200 mil, sendo a grande maioria de mulheres, 66% abrigados em perfis de até 10 mil seguidores. Só a Squid, uma das maiores plataformas no país, tem cadastrados 50 mil microinfluenciadores (perfis que possuem menos de 100 mil seguidores).

Mas por que esse fenômeno cresce tão rápido? Hoje, 74% dos consumidores se orientam por meio de suas redes sociais para realizar uma compra, de acordo com estudo realizado pela Sprout Social, e, segundo a Nielsen, 84% dos consumidores tomam decisão com base nas opiniões de fontes confiáveis, acima de outras formas de publicidade. Além disso, de 2016 para 2017, o tempo gasto pelos brasileiros na internet dobrou, de 8 horas semanais para 16 horas semanais. Assim, com estes dados, as empresas estão apostando fortemente nos influenciadores.

De olho nessa nova carreira, um curso de profissionalização em influência digital lançado há apenas 9 meses já reúne 400 alunos, sendo 98% mulheres! Criado por Dani Almeida, jornalista e influenciadora digital que, com baixo investimento, atingiu 88 mil seguidores no Instagram e 78 mil assinantes no YouTube em um ano e meio no perfil @opoderdaimagem, hoje auxilia estas pessoas que querem se tornar influenciadores de sucesso.

“As pessoas achavam que só quem tinha muito dinheiro pra investir atingia o sucesso. Me perguntavam como conseguir seguidores (muita gente compra números nas rede sociais e nunca precisei disso). Meu investimento nas minhas redes foi super baixo. Queria mostrar pras pessoas que com técnicas de comunicação e marketing digital era possível viver de uma nova carreira, conciliar família e uma boa renda”, conta Dani.

Outro ponto a ser levado em consideração segundo a Dani são alguns cuidados a serem tomados: “aqueles que querem seguir a carreira devem se profissionalizar. Antes de uma boa imagem, o influenciador digital deve trabalhar com ética, responsabilidade e respeito pelos seus seguidores. E é exatamente aí que eu entro, eu auxilio este público a se profissionalizar e se lançar no mercado”, explica.

Quanto é possível ganhar como influenciador?

Segundo Dani, um micro influenciador pode começar ganhando entre R$ 2 mil e R$ 10mil por mês. Tudo depende da performance e da capacidade empreendedora do influenciador, claro.

Recentemente, a revista Forbes divulgou que um grande influenciador no Brasil ganha, em geral, entre R$ 50 mil e R$ 150 mil por campanha no YouTube, onde estão os maiores faturamentos. A campanha pode incluir, além de menção em vídeo, posts nas redes sociais.

Mas nem só de publicidade nas redes sociais (o publipost) vivem os influenciadores. A microinfluenciadora Paula Barone, do Instagram @superdicasdapaula_ que reúne atualmente 35,4 mil seguidores, fatura de R$ 3 a R$ 4 mil por mês, com serviços de consultoria e social mídia (administração de redes sociais). Publicitária com passagem por grandes empresas, há quase um ano ela decidiu apostar na carreira de maneira profissional e já rentabiliza há 5 meses.“Foram uns seis meses estruturando minha carreira e meu negócio. Agora, a intenção é crescer esse faturamento. Já tenho mais 2 projetos em vias de fechar.”

Já Renata Foresti do @renataforesti, possui menos de 10k mas um grande nível de engajamento. Como ela foi dona de uma rede de varejo, rentabiliza como RP, além de modelo nos publiposts. Já está organizando eventos para grandes marcas, aluga espaços em Brasília etc. Seu investimento inicial foi o cursohttp://influenciadoradesucesso.com.br/ da Dani Almeida, e o serviço de mentoria totalizando um valor de R$7.000,00. Hoje ela já recuperou este valor em parcerias.

Segundo Dani, elas criaram este grande nível de engajamento porque conversam com seu público e criaram um senso de comunidade. "O sentimento de comunidade é o que fez o homem progredir como animal e sobreviver tantos anos no planeta. O influenciador que consegue construir esse sentimento de comunidade nas suas redes sociais é o que mais consegue crescer e progredir.Nesse sentido, importante ter um nicho bem definido e claro, conversar com a audiência, este é o grande diferencial", finaliza Dani.

BOX: Microinfluenciadores - quem são?

Oficialmente catalogados, existem 7500 influenciadores digitais em todo Brasil, segundo pesquisa “Raio-X dos influenciadores digitais do Brasil”, realizada pela Apex. Mas esse número é muito maior quando somados os microinfluenciadores (pessoas com 5 a 100 mil seguidores em suas redes).

Somente a Squid, uma das maiores plataformas voltadas para os micro, possui atualmente mais de 50 mil influenciadores cadastrados. Por terem um engajamento maior e serem mais baratos para as empresas, os microinfluenciadores são uma forte tendência de mercado.

Em uma pesquisa realizada por Youpix, GfK e Airstrip mostra uma correlação direta entre a base de fãs e seu nível de envolvimento com a produção do influenciador. Criadores de conteúdo que possuem de 400 a 500 seguidores geram engajamento de 7,8% de sua base. Os que possuem de 900 a 1.100 seguidores geram engajamento de 3,4% e assim por diante até chegar ao nível dos grandes influenciadores, que tem 900 mil e 1,1 milhão e somente 1,8% da base engajada (por engajamento subentende-se o fã que compartilha, curte ou deixa comentários). O estudo foi feito por meio de entrevistas presenciais e questionário online com 300 usuários e por meio de um banco de dados de mais de 230 mil influenciadores.

Outro levantamento, com 2.040 posts contratados pela agência de marketing de influência BR Media, também dá sinais sobre a eficiência dos microinfluenciadores: posts publicitários são curtidos por 4,6% dos fãs de criadores que têm até dez mil e 30 mil possuem engajamento de 3,12% e aqueles que possuem um milhão de seguidores têm 1,4% de curtidas em publicações relacionadas a marcas. Macroinfluenciadores, com mais de dez milhões de seguidores, engajam 0,66%. Ainda que 4,6% de dez nil (40 pessoas) sejam muito menos do que 0,66%. Ainda que 4,7% de dez mil (470 pessoas) sejam muito menos do que 0,66% de 10 milhões (66 mil), a diferença proporcional pode ser relevante quando é considerado o custo por mil (CPM) para ativar um micro ou um macroinfluenciador.