*Por Maria Emília Farto

Quase sempre é o mesmo roteiro: Chorar as perdas. Contabilizar estragos. Tentar recuperar o que for possível. Investir valores não previstos para aí então tentar evitar o pior ou que novos casos aconteçam. Encontrar culpados!!! E se perguntar várias vezes “Como ninguém pensou nisso antes?”.

Independentemente da complexidade do cenário envolvido na tragédia ocorrida com o Museu Nacional, cujos prejuízos vão além das nossas fronteiras, o que aconteceu se repete todos os dias em maior ou menor escala em muitas empresas com incêndios de todo tipo e tamanho. Alguns deles com prejuízos de imagem que podem levar anos para serem revertidos, quando se revertem.

A verdade é que boa parte do mundo corporativo brasileiro ainda não enxerga valor e utilidade em planos de contingência. Seja por desconhecimento, falta de recursos ou até o velho “não quero falar disso porque atrai”, o que prevalece no dia a dia das organizações é a mais completa negligência em relação ao assunto, causando tamanho despreparo que, assim como no caso do Museu Nacional, quando o pior acontece os prejuízos podem beirar o imensurável.

Já as startups tendem a cair no erro de pensar que são muito jovens ou muito enxutas para terem uma crise de imagem a ser gerenciada. Ledo engano. Existem casos dessas empresas, por exemplo, que mal acabaram de anunciar uma notícia positiva foram pegas de surpresa por fatos que fugiram ao controle e atentaram contra sua idoneidade. Nenhuma empresa é imune a momentos de crise de confiança. E se tratando de startups elas têm a agilidade a seu favor, mas a fragilidade de marcas que ainda estão conquistando seus públicos de interesse.

A situação ainda é pior ainda quando esse plano de contingência se refere a comunicação de crise. Plano de Comunicação de Crise chega a ser algo de que muitos gestores nunca ouviram falar – até o dia em que a crise acontece. Afinal, qual é a primeira coisa cobrada pela sociedade em meio a acidentes, sabotagens, tragédias e incêndios de toda ordem? Informação.

Um Plano de Comunicação de Crise é uma ferramenta tão importante e eficiente, que já na sua criação ajuda a empresa a perceber pontos nevrálgicos, comumente despercebidos. Isso acontece porque sua produção exige que desde o início o profissional de comunicação responsável pelo projeto monte equipes multidisciplinares, qualquer que seja o tamanho da empresa.

É nesse momento que todos saem da sua zona de conforto para repensar processos e ações, tendo a chance de ouro de identificar e resolver alguns problemas antes que aconteçam.

Depois de pronto, ele funciona como um plano de voo para conduzir a comunicação da empresa em possíveis situações de crise. Seu primeiro benefício é oferecer a possibilidade de agir rápido, com transparência e eficiência, apagando a primeira labareda e impedindo que um grande incêndio se instale, sem que que gestores tenham que pensar todas as ações e respostas imediatas sob forte pressão psicológica. Mais ainda, pode até ajudar que a empresa siga produzindo, mantendo a crise como um item sendo gerenciado à parte.

Caso a crise se estabeleça e se arraste por meses, o Plano de Comunicação de Crise reduz estragos e impactos negativos iniciais. E se a situação não estiver sido prevista no plano, ele ainda vai ser útil porque terá traçado processos que poderão guiar uma boa parte das ações.

Com um bom Plano de Comunicação de Crise, ao invés de sentir será possível pensar, fazendo da crise uma grande oportunidade para a empresa mostrar sua força, integridade, valores éticos e comprometimento. Muito melhor do que cortar cabeças ou procurar culpados para se cobrir do sol com uma peneira.

*Fundadora da Polo de Comunicação, Maria Emília Farto é jornalista, assessora de imprensa, especializada em gestão de comunicação empresarial e de marketing (branding).

*Imagem: PIXABAY