Por Emanuela Ramos

Os rápidos avanços tecnológicos dos últimos anos impulsionaram mudanças em diversos setores da economia. É nesse cenário de constante transformação que surgem os novos modelos de negócios conhecidos como organizações exponenciais, que refere-se ao impacto desproporcionalmente maior que causam quando comparadas a empresas de modelo tradicional e crescem de forma exponencial.

Yuri Van Geest, co-fundador da Singularity University e um dos responsáveis pelo surgimento do termo organizações exponenciais, diz que para as empresas se enquadrarem nessa categoria é necessário terem coragem de investir em algo radicalmente novo e baseado em inteligência da informação, o que é fundamental para a sobrevivência de qualquer companhia em plena era digital.

A tecnologia irá fomentar muitas mudanças profundas e em um ritmo cada vez mais acelerado. Com o surgimento da Internet das Coisas (IoT), por exemplo, é possível afirmar que em poucos anos estaremos hiperconectados em todos os níveis sociais e faixas etárias, utilizando de forma simples e usual um verdadeiro arsenal tecnológico.

Espera-se um crescimento exorbitante de informações. Segundo pesquisas do Gartner, 2,2 trilhões de terabytes de novos dados são criados todos os dias e a previsão é que até 2022 haja um total de 40 trilhões de gigabytes no mundo. Para se adequarem aos novos tempos de dados massivos, as organizações precisam mudar do conceito linear para o exponencial. Diante desse desafio, o primeiro passo é pensar de forma diferenciada e desapegada dos padrões tradicionais.

O que difere uma empresa comum de uma exponencial é justamente a maneira como cada uma lida com as informações. Uma organização exponencial percebe a evolução tecnológica de forma diferente. Quanto mais adaptável e ágil for o negócio, melhor será a inserção da companhia no mercado. Muitas empresas ainda não estão prontas para se reinventar, porém, quanto mais esperam, menos ganham.

O caminho para transformação é, portanto, ousar com novos modelos de negócios apoiados em tecnologias disruptivas e na mudança de mindset. Desaprender as práticas tradicionais para então aprender novas já é uma realidade irreversível para os negócios.

Ao analisar a trajetória de organizações exponenciais, os fundadores da Singularity University apresentam os quatro ‘Ds’ essenciais para trazer valor aos negócios: Digitalização (todos os processos são digitalizados, inclusive voz e imagem), Disrupção (evolução tecnológica que rompe e supera as tecnologias já existentes), Desmonetização (com a disrupção, os custos caem e tornam as soluções tecnológicas mais acessíveis) e Democratização (acesso à tecnologia para todos, com dados disponíveis em plataformas digitais e de fácil alcance). Tais companhias são construídas com tecnologias de ponta, cultura organizacional inovadora e áreas descentralizadas para que todos trabalhem em rede e com protagonismo em seus projetos e objetivos.

Na avaliação de Geest, esse novo modelo exponencial de negócio cresce em ritmo frenético e faz mesmo muito sentido, porque confere a todas as áreas um papel protagonista, desburocratiza processos e setores e desconecta totalmente a empresa dos modelos tradicionais de gestão e de execução. Empresas matriciais e com conceito linear de gestão tem respondido mais lentamente às mudanças, principalmente no cenário tecnológico. Seu regime de departamentos em excesso não resulta em uma equipe multidisciplinar. Atualmente, quanto mais interação houver entre as áreas, mais plurais e inovadores serão os produtos, as soluções e as ideias.

É necessário derrubar, ainda, o mito de que a transformação é exclusiva de grandes companhias. As organizações exponenciais não são apenas as multinacionais. Pelo contrário. Pequenas e médias empresas também podem fazer parte desse processo de mudança e adaptação, destacando-se em seus segmentos. Tecnologia e velocidade são uma dupla que impulsiona o rápido crescimento, independentemente do porte. Um bom exemplo são as startups, que têm atraído olhares de diferentes setores e investidores.

Para crescer exponencialmente é preciso abandonar padrões com os quais estamos acostumados e que foram até agora a única garantia de funcionamento. É hora de dar espaço para novas ideias e modelos de negócios. O futuro é plural, mas em todos os cenários possíveis a transformação por meio da inovação e tecnologia exerce papel de destaque. Sua empresa está preparada para desaprender o tradicional e incorporar o inovador?

Emanuela Ramos é Diretora Executiva da Resource