Especialistas mostram o perfil que uma venture capital busca em uma empresa e os acontecimentos que podem destruí-la; entenda e evite

No ano de 2017 foram investidos cerca de US$ 78 bilhões em startups no mundo, principalmente em países como Estados Unidos e Israel, segundo palestras realizadas no SET Expo, maior congresso de comunicação e mídia da América Latina. No Brasil, mercado que está crescendo, foram investidos US$ 2 bilhões no mesmo período. Aplicativos como Snapchat, Airbnb e Uber são os destaques no cenário global.

De acordo com Lima Santos, CEO da companhia de venture capital 5Xmais Holding Business, empresas desse setor buscam um perfil de startups em que os seus fundadores tenham foco, determinação, resiliência, planejamento, coragem e saibam lidar com pressão, além de possuírem controle emocional.

Jana Ramos, Head of Growth Hacking da mesma companhia, alerta para alguns fatos que contribuem para que uma startup não cresça. Segundo a plataforma digital CB Insights, cerca de 42% das startups passam pela falência nas primeiras etapas.

“Infelizmente, os empreendedores criam produtos, soluções e serviços pelos quais as pessoas não pagariam para ter acesso e em que não enxergam valor. Muitas vezes trabalham meses e anos investindo em desenvolvimento, aplicativo, site e, na hora de 'ir para rua' vender, percebem que o público e o mercado não precisavam daquilo”, explica.

São muitos os custos que uma startup enfrenta para sair do papel: colaboradores, ferramentas, local de trabalho, desenvolvimento de produto, além dos impostos. Do mesmo modo que a falta de dinheiro para fluxo de caixa é uma das grandes responsáveis pela falência das empresas tradicionais, com as startups não é diferente. “Cerca de 29% destes negócios fracassam porque acabou o dinheiro”, afirma Jana Ramos, citando estudo da CB Insights.

Além disso, segundo a plataforma, 23% das startups que quebram são por conta de escolhas erradas de um time de colaboradores. “Algumas análises na 5Xmais apontam que cerca de 70% da performance das startups está relacionada com soft skills (habilidades pessoais) e comportamento, contra 30% de capacidade técnica, conhecimento e hard skills (habilidades técnicas)”, salienta Ramos.

Empresas de tecnologia que não consideram os seus concorrentes são a causa de 20% dos fracassos, seja em relação ao preço, atendimento, serviço ou produto, de acordo com a CB Insights. “Constatamos que um quarto das startups são vencidas dentro do implacável e competitivo mercado”, reconhece Jana.

Problemas com custos e preço causam a morte de 18% das startups. Este dado está relacionado à falta de dinheiro, afirma o estudo. “Podemos destacar problemas na receita, na precificação do produto, no baixo crescimento ou até em mesmo operações de e-commerce com estruturas infladas, altos custos com logística e baixa margem de lucro, o que fazem com que negócios promissores desapareçam do mapa”, completa.

Todo cuidado é pouco na hora de escolher os sócios fundadores, causa de grandes conflitos e dor de cabeça para 13% das empresas. “Desarmonia entre investidores, sócios e fundadores podem gerar prejuízos enormes”, finaliza Jana Ramos.