Lançada em 2016, a startup EduSynch encontrou no mercado brasileiro um espaço para ajudar os estudantes do idioma

Por Naiara Araújo

Muitos brasileiros dedicam, em média, seis anos em escolas de idiomas para aprender inglês. Ainda assim, na hora de fazer um exame de proficiência como TOEFL, IELTS, TOEIC, Cambridge, entre outros, muitos desses estudantes ainda não estão preparados. Esse cenário alertou Sean Kilachand, fundador e CEO da EduSynch, que enxergou nessa realidade uma oportunidade de negócio e de democratização do ensino.

“A EduSynch não ensina inglês. Somos uma plataforma de preparação e treinamento adaptativo para as exames de proficiência da língua”, afirma Kilachand. O público-alvo da plataforma são alunos que já aprenderam inglês e precisam de uma avaliação antes de fazer o exame final. No Brasil já existiam outras plataformas para esse tipo de teste, mas elas não eram adaptativas e não tinham avaliadores humanos para a parte do speaking e writing, o que Kilachand considera fundamental para esse tipo de prova.

De acordo com o fundador da plataforma, tendo em vista que o formato, conteúdo e grau de dificuldade dos exames de proficiência são muito diferentes do oferecido na grande maioria dos cursos, com a EduSynch o aluno tem como treinar especificamente para a prova em questão. “Além de lhes dar segurança, eles treinam em um ambiente muito parecido com o da prova real, podem garantir que já estão prontos antes de ter que gastar a grande quantia que custa uma dessas provas”, afirma Kilanchand. Um TOEFL, por exemplo, pode chegar a custar mais de R$ 700.

O serviço usa um modelo freemium, ou seja, uma parte é gratuita e outra é paga. “Fornecemos mais de 40 horas de prática adaptativa para as habilidades de reading e listening de graça, porém, os simulados são pagos”, conta Kilachand. A grande diferença é que os simulados, além de seguirem as mesma regras da prova real como: limite de tempo, formato e apresentação, possuem correção humana.

Os desafios de empreender no Brasil

Sean Kilachand, filho de um indiano e de uma norte-americana, é de Nova York, mas veio parar no Brasil por conta de um emprego em uma startup antes da ideia de desenvolver a plataforma. Quando ele começou com a ideia viu que encontraria obstáculos para empreender no Brasil. Por isso, ele considera que tem sido “difícil” a experiência no mercado brasileiro. “O Brasil possui muitas barreiras, o que realmente não facilitam o processo de abrir uma empresa, contratar pessoas e etc”, conta o CEO da Edusynch.

Além disso, ele encontrou desafios no mercado educacional. “Existe uma reticência por parte dos professores de que uma nova solução vai gerar ainda mais trabalho e complicações, então, a coisa mais importante é mostrar ao professor que a solução não apenas não vai dar mais trabalho, como vai facilitar a vida deles e lhes poupar tempo, além de facilitar na individualização do ensino, ajudando-os a apoiarem os alunos de uma maneira mais eficiente”, afirma. Ele brinca que o processo de desenvolvimento foi a parte mais tranquila: “Temos os melhores desenvolvedores do mundo (risos)”.

Os caminhos da startup educacional

A EduSynch fez parte da primeira turma do programa Startup Brasil, do MCTI, que começou em janeiro 2014. Depois de um ano, eles pivotaram a empresa para focar nos exames de proficiência em inglês e o lançamento da primeira versão do aplicativo para android foi em junho de 2016. Desde dezembro de 2016, eles oferecem os simulados de speaking e writing e, desde abril deste ano, também disponibilizam os simulados completos do TOEFL.

Por meio da tecnologia ele acredita que é possível mudar a forma como os professores ensinam e que como os alunos aprendem. “Tecnologia, em conjunto com os professores, é o fator determinante para melhorar a vida das próximas gerações”, afirma Kilachand. “A tecnologia hoje toca todas as partes da nossa vida, trazendo soluções e facilidades nunca pensadas pelas gerações que nos precederam, mas a educação ainda engatinha em sua adoção.”

O futuro da EduSynch

De acordo com o fundador da plataforma, a maior dificuldade encontrada pela empresa é avaliação do conteúdo do que está sendo falado e/ou escrito. “Atualmente, não existe tecnologia capaz de avaliar com precisão a língua falada. Até mesmo para a língua escrita, que já possui algumas tentativas de auto correção por software, a precisão fica muito aquém do esperado devido a complexidade da linguagem”, afirma.

Assim, na EduSynch, o projeto futuro é usar machine learning, utilizando as mais de 2 milhões de perguntas respondidas para desenvolver uma metodologia para avaliar um clipe de áudio ou uma redação na hora. “E com a mesma precisão que contamos hoje com nossos avaliadores humanos”, diz. O grande objetivo é o aluno receber feedback imediato além de proporcionar às escolas uma maneira mais fácil e rápida para avaliação.