Famosos na rede, eles conseguem aumentar o número de alunos e o faturamento a cada ano

Por Naiara Araújo

Em um país como o Brasil, onde o profissional que escolhe o caminho da sala de aula não é muito valorizado, é raro, mas não impossível, encontrar projetos nos quais os professores são as grandes estrelas. Dois exemplos disso são os professores Paulo Valim, do Química em Ação, e Rafael Procópio, do Matemática Rio. Ambos pertencem ao movimento de professores que enxergaram na internet a possibilidade de fazer diferente pela educação. A partir de videoaulas, eles conseguiram dar força ao ensino digital e ainda melhoraram suas carreiras em diversos aspectos.

Nas redes sociais eles fazem sucesso, embora mostrem não se importar com a fama. “Eu não me considero famoso. Eu só percebo que tenho uma certa fama quando eu vou na rua e as pessoas me reconhecem”, diz Procópio. Atualmente, a página dele no Facebook ultrapassa 1,5 milhão de seguidores. Além disso, o site tem 2 mil cadastros ativos, o canal no Youtube tem 800 mil alunos inscritos, onde todos meses ele bate a marca de 3,5 milhões de visualizações. Os números não negam a rentabilidade do negócio. Desde 2015 no ar, o faturamento do Matemática Rio dobra ou triplica a cada ano.

Paulo Valim vai pelo mesmo caminho com o Química em Ação. Até agora, já foram mais 23 milhões de visualizações no canal do Youtube, mais de 370 mil alunos impactados pelas aulas online e o número de seguidores no Facebook está próxima de meio milhão. Para ele, a popularidade é uma sensação agradável. “Não é o fato de tornar-se famoso e sim de ter o meu trabalho valorizado e reconhecido”, afirma Valim.

Professores e a educação digital

Entrevistados em momentos diferentes, os dois resumiram a importância da educação digital com a mesma palavra: democratização. “Em 10 anos de sala de aula eu devo ter atingido mais ou menos uns 7.000 alunos. Hoje, o nosso canal do Youtube já tem mais de 23 milhões de visualizações e você assiste de graça as aulas”, conta Valim.

Assim como o colega professor de química, Procópio também passou alguns anos trabalhando em escolas. A diferença é que um se dedicou à rede privada, enquanto o outro atuava na rede pública. Hoje em dia os dois deixaram para trás as aulas presenciais e se dedicam quase que exclusivamente ao ensino online, salvo algumas palestras e aulas especiais.

Para o matemático, esse modelo tem se mostrado muito eficiente, até mais do que as salas de aula tradicionais. “A pessoa quando está no computador está numa atitude proativa, ela buscou conhecimento e está num momento de concentração total, ao contrário da sala de aula, onde tem distrações e o professor perde tempo com um monte de outras coisas burocráticas”, explica Procópio.

Para o professor de química, outro ponto importante é que ambiente virtual dá espaço para cada aluno aprender no seu ritmo. “O aluno faz seu horário, estuda no período do dia que tem mais energia”, diz Valim. “Ele não precisa ficar com medo de levantar o dedo no meio de uma multidão para fazer uma pergunta, pausa, volta e assiste de novo e pronto, não leva dúvida pra casa.”

Novos modelos

Tanto Paulo Valim como Rafael Procópio são embaixadores do Youtube Edu e, com isso, assumiram a função de inspirar novos professores a tornarem-se ativos na produção de videoaulas, agregando conteúdo à plataforma. “Eu não consigo nesse momento pensar em nenhum outro modelo a não ser o de ensinar através de vídeo”, afirma Procópio. “O futuro da educação, e de todas as outras coisas, para daqui cinco ou dez anos é o vídeo.” Já para Valim, as videoaulas são só o começo. “Temos que sempre pensar no novo ou ficamos para trás.”

Entre os desafios que eles encontraram nesse caminho o principal é o de se reinventar. O criador do Matemática Rio comenta que na sala de aula era mais fácil saber o que estava funcionando ou não. Agora, sem muito contato com os alunos, o jeito é se reciclar em busca da melhor forma de se comunicar com eles.

Porém, os resultados mostram que esses educadores estão conseguindo vencer esses desafios com sucesso. Em todas as mídias sociais eles colecionam histórias de alunos que conseguiram alcançar os seus objetivos, seja na escola, no vestibular ou no concurso público, graças ao conteúdo que encontraram na rede. Assim como eles, muitos outros professores já trilham caminhos semelhantes e mostram que não importa se os números vêm das aulas pagas ou das gratuitas, tornar o ensino acessível é o que tem sido o grande diferencial.