Escola especializada em ciência da computação quer formar pessoas para o mercado de trabalho do futuro

Por Naiara Araújo

Normalmente são os pais e responsáveis que elegem os cursos complementares que vão preencher a rotina das crianças e dos adolescentes. Porém, essa realidade tem mudado com as novas gerações. Enquanto os adultos querem que as crianças estudem inglês e pratiquem esportes, elas querem ir muito além. Escolas de ciência da computação, robótica e outros temas tecnológicos são as opções que tem chamado a atenção das crianças dos dias de hoje.

Na SuperGeeks, escola de ciência da computação para o público infantojuvenil, aproximadamente 70% dos alunos, que têm entre 5 e 16 anos de idade, pediram aos pais para ingressar no curso. “Hoje em dia, boa parte das crianças se interessam muito por tecnologia e eles já estão descobrindo, antes mesmo de seus pais, que dominar a tecnologia é o que eles querem”, conta Marco Giroto, um dos fundadores da SuperGeeks.

Nesse tipo de escola, os alunos entram em contato com as áreas de desenvolvimento de games, desenvolvimento de sistemas de aplicativos, robótica, realidade virtual e aumentada, internet das coisas e inteligência artificial. A escola foi inaugurada em maio de 2014 e atualmente já tem mais de 40 unidades em diferentes municípios brasileiros.

Choque de gerações

Apesar da boa aceitação no mercado brasileiro, um dos grandes desafios que a instituição de ensino tem é mostrar para os pais a importância desse tipo de aprendizagem. “Nesta nova era, aprender ciência da computação se torna importante. Uma vez que é muito mais importante dominar a tecnologia do que o inglês”, afirma Giroto. “Uma pessoa sem domínio de tecnologia, em um mundo cercado por tecnologia, irá passar por problemas sérios.”

O curioso é que as crianças já reconhecem o valor desse tipo de conhecimento, enquanto muitos adultos ainda estão preocupados com as exigências de outros tempos. “Aprender ciência da computação não é mais algo opcional, é obrigatório, tanto é que escolas de primeiro mundo já estão colocando esta disciplina como obrigatória na grande curricular”, diz o fundador da SuperGeeks.

Educação e tecnologia

Além da formação na área, Giroto alega que a aprendizagem da ciência da computação desencadeia no desenvolvimento de outras habilidades importantes para a formação, como raciocínio lógico, criatividade, cooperação e foco, trabalho em equipe, concentração, entre outras.

O mercado de trabalho do futuro

O fundador da SuperGeeks acredita que quando as crianças de hoje chegarem a fase adulta e forem buscar seus primeiros empregos, elas irão se deparar com uma realidade completamente diferente da que temos hoje. “Elas terão que disputar vagas com softwares e robôs. Milhares de coisas serão automatizadas por meio de sistemas inteligentes e robôs”, afirma Giroto.

Por isso, o principal objetivo desse modelo educacional é formar cidadãos do século XXI. “Pessoas que dominem a tecnologia e não sejam dominadas por ela. Não queremos formar somente programadores ou cientistas da computação, mas, no século XXI, as pessoas precisam ter o conhecimento básico de ciência da computação”, diz.

Disciplina obrigatória

Pela experiência na área, ele acredita que a tendência é que ciência da computação comece a fazer parte do currículo escolar das crianças a partir dos 5 anos até o ensino médio nos próximos anos. “Com essa evolução, as faculdades de tecnologia serão obrigadas a melhorar seu ensino”, afirma Giroto.