Tecnologia: Amiga ou vilã do porteiro?

2 months ago

Por: Priscila Tapajós

 

Por Joaquim Venancio

Quando falamos em tecnologia para melhoria da vida em condomínio, logo pensamos em iniciativas para automatização desses locais: portaria remota ou autônoma, liberação de entrada por digital, câmeras de segurança que não precisam de operação. Ainda assim, essa é a realidade de poucos prédios residenciais. Segundo a Associação Brasileira de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), apenas 2000 dos 300 mil condomínios presentes no país utilizam portaria digital ou eletrônica. Isso significa que a maior parte delas ainda tem porteiros presentes fisicamente nos edifícios.

Esse fato nos faz olhar com mais atenção para o mercado, buscando por opções novas soluções para aprimorar a segurança e modernizar residências e, ao mesmo tempo, empoderar o porteiro, melhorando suas condições de trabalho, facilitando o seu dia a dia e a eficiência na gestão da portaria, além de eliminar custos.

Muitas iniciativas têm sido criadas nesse sentido, desde inovações em administradoras até aplicativos que substituem o interfone, todos com o intuito de aparatar o capital humano. Por meio da tecnologia, o porteiro consegue autorizar a entrada de visitantes, registrar quem frequenta o prédio, organizar encomendas de forma mais eficiente. De um lado, ele tem mais qualidade de trabalho, do outro, o prédio tem mais segurança e a melhor gestão possível, sem precisar apelar para a automatização. Tudo isso com um custo equivalente ou até menor do que um sistema totalmente digital.

Segundo dados de mercado, em média, uma portaria remota, chega a custar para os cofres do condomínio, entre 4 mil e 7 mil reais por mês, valor que inclui a folha do serviço de monitoramento e gestão a distância do prédio, já incluindo a taxa de implementação. Vale lembrar que além deste valor despendido mensalmente pelo serviço, deve-se avaliar quanto custa a adaptação do prédio a adoção de tal tecnologia, que pode custar mais de 50 mil reais com a implantação de câmeras, sistemas de segurança integrados, clausuras e cancelas automatizadas. Além disso, não é se trata apenas de investir, é necessário também cumprir vários pré-requisitos para usar portaria remota em condomínios. Por outro lado, uma portaria tradicional com auxílio presencial e integral, 24 horas por dia, custa em média para o condomínio em torno de 10 mil reais mensais.

Outra questão importante de se pontuar é que, para muitos moradores, o porteiro não se limita a função tradicional de abrir porta, mas sim como um agente de segurança em diversas frentes. Vamos supor que um morador esqueça uma panela no fogão, causando um princípio de fumaça ou incêndio, por exemplo. O funcionário remoto não poderá ajudar de forma tão eficiente quanto um porteiro presente fisicamente no edifício. O mesmo acontece em casos como pane de elevador, em que é preciso acionar a empresa de manutenção de elevadores, e outros problemas de condomínio. Sem falar que, no primeiro caso, temos um colaborador tomando conta de apenas um edifício, enquanto cada portaria remota monitora cerca de 5 edifícios simultaneamente, dividindo a atenção de um único profissional entre diversos condomínios.

É importante entendermos, então, que a transformação digital pela qual estão passando os condomínios deve ser vista como uma oportunidade de renovação do papel dos porteiros, para uma carreira onde o fator humano é ainda primordial para a harmonia e segurança dos condôminos.

Acreditamos que vão se diferenciar, nos próximos anos, as empresas que usem a tecnologia como uma aliada das pessoas e não como vilã , ou substituto! É um caminho que exige olhar para outro, construir oportunidades e ouvir o consumidor. Vamos construir isso juntos?

Joaquim Venancio é CEO e fundador da Noknox, uma plataforma que tem como objetivo conectar pessoas aos seus lares e locais de trabalho unindo praticidade, segurança e conforto.

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