Tecnologia em sala de aula funciona? No Sday Emerson Pereira, Diretor de Tecnologia Educacional no Colégio Bandeirantes, mostrou que sim.

Lá a tecnologia já faz parte da rotina do aluno. Alguns destaques interessantes:

No Band, tablet e alguns apps já são listados como material escolar obrigatório;

Durante o dia, mais de 3.500 dispositivos são conectados no colégio;

Utilizam aproximadamente 600 MB de banda;

Possuem 4 profissionais especializados em tecnologia para ajudar os professores;

Caso o professor tenha qualquer problema em sala de aula, o time de suporte em tech faz o atendimento em aproximadamente 2 minutos;

Livros e apostilas são todos digitalizados;

Não existe mais boletim e diário de classe em papel, tudo é feito via apps;

Os pais conseguem acessar a correção das provas dos filhos pelo aplicativo do colégio;

Com o uso de tecnologias para correção de provas, o tempo de correção caiu para ⅓, ou seja, uma prova que demorava 3 dias para ser corrigida, leva 1 hoje;

A média dos alunos de Português do 6º ano teve acréscimo de 0.7 depois da adoção de tecnologia em sala de aula.

Após o evento, conversamos com Emerson para entender um poucos mais sobre como o Bandeirantes está lidando com essas mudanças no ambiente escolar.

Polinize – Considerando sua experiência como diretor no Colégio Bandeirantes, quais são os principais desafios para a inserção da tecnologia em sala de aula?

Emerson Pereira – O principal desafio é a mudança de cultura. A chegada da cultura digital na sala de aula, por si só, reorganiza a topologia social da sala. As relações passam a obedecer uma forma menos hierarquizada do que antes da chegada de tabletes e smartphones nas salas. Anteriormente, se um professor quisesse usar tecnologia ele tinha que levar os alunos até uma sala ambiente de informática, ou a um laboratório de informática. As máquinas só faziam parte da aula quando havia esse deslocamento para uma “sala especial”. Hoje, as máquinas foram para a sala de aula, e nesse sentido, a opção de ter ou não a presença das máquinas na aula praticamente não existe. O que existe é a discussão de como usa-las de modo adequado.

Polinize – Com relação à inovação, quais são as metas para os próximos anos do colégio Bandeirantes?

Emerson Pereira – Estamos consolidando projetos como STEAM e a implementação do uso de tabletes e smartphones para toda comunidade escolar ( Alunos, professores, inspetores, gestores, bibliotecários,coordenadores...).Talvez o próximo grande passo seja repensar o modelo de avaliação considerando os aspectos socioemocionais. A realidade aumentada também está no nosso radar.

Polinize – Como aproximar startups de gestores escolares? O Bandeirantes está aberto para conhecer novas soluções educacionais? Quais são as principais áreas de interesse?

Emerson Pereira – Temos muito contato com startups. Elas têm ajudado muito na oxigenação e inovação das escolas. Temos buscado as plataformas adaptativas, propostas de avaliações socioemocionais e empresas que ajudam na gestão escolar.

Polinize – Como familiarizar o professor com a adoção de novas tecnologias?

Emerson Pereira – É preciso, antes de tudo, empatia. Adotar tecnologia pode alterar demais a rotina do professor. Por isso é fundamental que eles percebam rapidamente ganhos com o uso de TI. Ter um grupo de facilitadores (professores ou não) que mostrem algumas possibilidades de aula usando TI é um caminho. Trazer ferramentas de gestão que facilite o trabalho deles também é importante. Capacitação e parceria. Não basta ensinar, precisa estar ao lado apoiando o tempo inteiro. Algumas “dores” surgirão, mas é mais fácil passar por elas se tivermos consciência do propósito e visão do projeto de tecnologia educacional da escola.